A cliente reclamou que a unha quebrou: como decidir se refaz de graça

Por Equipe Guia da Nail Designer · Atualizado em 07 de setembro de 2026

Capa do artigo: Cliente Reclamou que a Unha Quebrou: e Agora? | Guia da Nail Designer

“Oi, sumiu uma unha ontem à noite.”

Essa mensagem chega para toda nail designer, e ela costuma chegar num horário ruim. O erro que sai caro não é refazer nem cobrar. É decidir na hora, sem critério, com a cliente esperando resposta no WhatsApp.

Esta página é sobre ter esse critério pronto antes da mensagem chegar.

Primeiro separe a causa, depois decida o preço

Refazer sem cobrar é reparo. Cobrar é serviço novo. A pergunta que define qual dos dois é: o trabalho falhou, ou o trabalho foi submetido a mais do que aguentava?

Como orientar a decisão a partir do tipo de falha
O que aconteceuCostuma apontar paraDecisão razoável
Descolou uniforme, desde a base, em várias unhasPreparo ou curaRefazer sem cobrar
Levantou só nas laterais ou junto da cutículaProduto encostando na peleRefazer sem cobrar
Quebrou em uma unha, com fratura visívelTraumaRetoque cobrado
Descolou passando bastante do intervalo de manutençãoCrescimento naturalManutenção normal
Amolece, deforma ou muda de cor cedoProduto ou armazenamentoRefazer e revisar o material

Nada disso é regra fechada. Serve para levar a conversa para o processo em vez do achismo, que é onde ela costuma travar. As causas técnicas estão detalhadas em por que a unha em gel descola.

Um padrão de reclamações não é azar

Uma reclamação isolada acontece com qualquer profissional. Três clientes diferentes relatando descolamento no mesmo mês é dado, não coincidência, e o lugar de investigar é o preparo, a cura e o produto. Se você trocou de linha recentemente por causa da reformulação sem TPO, o tempo de cura da formulação nova é o primeiro suspeito.

Sua política de garantia em quatro linhas

Não precisa de contrato. Precisa de quatro decisões tomadas antes:

  1. Prazo. Quantos dias você cobre. Escolha entre 3 e 7 e não mude conforme a cliente.
  2. O que cobre. Descolamento e falha de aderência sem trauma aparente.
  3. O que não cobre. Batida, uso como ferramenta, remoção feita em casa, retorno muito além do intervalo de manutenção.
  4. Como funciona. Ela avisa em até X dias, manda foto, você agenda o reparo em horário definido por você.

O item 4 é o que protege sua agenda. Sem ele, o reparo vira encaixe de emergência e desorganiza o dia inteiro.

Onde colocar isso sem parecer desconfiança

Não mande um “termo de garantia” para a cliente assinar. Isso soa a briga antecipada. Coloque como cuidado: no fim do primeiro atendimento, uma mensagem curta com as orientações de manutenção e uma linha dizendo “se descolar em até 5 dias, me avisa que eu ajusto sem custo”. Você entrega uma vantagem e define a regra na mesma frase.

O roteiro da resposta

O que você escreve nos primeiros trinta segundos define se aquilo vira reparo tranquilo ou desgaste.

Não faça isto: responder na defensiva (“você deve ter batido”), pedir desculpa em excesso antes de saber o que houve, ou prometer refazer antes de ver.

Faça isto:

“Poxa, que chato. Me manda uma foto da unha e me diz mais ou menos quando aconteceu? Assim eu já vejo o que foi e te falo o que a gente faz.”

Três coisas acontecem aí. Você demonstra atenção sem assumir culpa, obtém a informação que decide o caso, e desloca a conversa de “quem tem razão” para “o que a gente faz agora”.

Depois de ver a foto, uma das duas respostas:

“É descolamento de base, isso é comigo. Consegue vir quinta às 14h? Faço o ajuste sem custo.”

“Essa quebrou por batida, dá para ver pelo ponto da fratura. O reparo dessa unha fica R$ X e leva uns 20 minutos. Quer que eu encaixe?”

Repare que a segunda também é um sim. Você não recusou: ofereceu solução com preço.

O custo de refazer, com número

Refazer parece de graça porque não sai dinheiro do bolso na hora. Sai.

Um reparo consome material, o tempo de mesa que era de outra cliente e um horário que você não vai vender de novo. Se o seu atendimento tem R$ 30 de material e ocupa uma hora que renderia R$ 90 de contribuição, aquele reparo “gratuito” custou R$ 120.

Isso não é argumento para nunca refazer. É argumento para saber quanto custa e para tratar a taxa de retrabalho como indicador do negócio, não como imprevisto. Retrabalho alto é margem vazando por um problema técnico que ninguém mediu.

Descubra quanto custa uma hora da sua mesa

Com material, tempo e custo fixo na conta, você vê o valor real de cada retoque e de cada horário perdido.

Usar a calculadora de preço

Registre, mesmo que seja no bloco de notas

Duas informações por ocorrência: qual cliente e qual foi a causa provável. Em três meses esse registro responde perguntas que a memória não responde. A falha se concentra numa técnica? Num produto? Numa cliente específica? Numa época em que você estava correndo mais?

Sem registro, cada reclamação parece um evento isolado. Com registro, viram um padrão que dá para corrigir.

Veja também como lidar com desmarcação de última hora e quando adiar o procedimento, que evita boa parte das reclamações antes de elas existirem.

Perguntas frequentes

Sou obrigada a refazer de graça?
Depende da causa. Se o problema veio da execução ou do material, refazer é reparo de um serviço que não entregou o que prometeu. Se veio de uso indevido, trauma ou tempo muito além do intervalo de manutenção, não é garantia: é um serviço novo. O que não pode existir é a decisão ser tomada no calor da conversa, sem critério definido antes.
Qual prazo de garantia faz sentido?
Prazos entre 3 e 7 dias são comuns no mercado porque falha de aderência costuma aparecer cedo. Escolha o seu e escreva. Prazo curto demais parece má-fé; longo demais transfere para você o desgaste natural do dia a dia da cliente.
Como sei se a culpa foi minha?
Olhe onde e como quebrou. Descolamento uniforme desde a base costuma apontar para preparo ou cura. Quebra em uma única unha, com fratura, costuma apontar para trauma. Levantamento só nas laterais pode ser produto encostando na pele. Não é regra absoluta, mas orienta a conversa para o processo em vez do achismo.
E se a cliente estiver claramente errada e insistir?
Decida pelo valor do relacionamento, não pelo orgulho. Refazer uma vez custa material e uma hora; discutir custa a cliente e o que ela fala de você. Se for cliente recorrente e o caso for isolado, refaça e registre. Se virar padrão com a mesma pessoa, a conversa muda de assunto: passa a ser sobre expectativa e adequação da técnica.
Preciso colocar isso por escrito?
Sim, e é o que evita a discussão. Uma mensagem fixada no seu perfil ou um parágrafo enviado no primeiro atendimento já resolve. Regra combinada antes vira acordo; regra explicada depois vira desculpa.

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